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Entre parênteses

Passou aqui uma brisa de poesia
(uma tristeza, uma angústia, um sei lá quê)
Talvez eu possa escrever da maresia
(uma dor de não saber bem o porquê)

Certos momentos me tragam de repente
(lembranças vêm e vão sem fixar)
E dá vontade de retorno até a semente
(refazer tudo, enfim, recomeçar)

Mas, claro, voltar não é mais possível
(o jeito é seguir com ou sem tropeço)
Vou, então, sem promessa nem sentido.

Refaço a estrada e um piquete desprezível
(é bem verdade, tudo na vida tem preço)
E sigo, ainda que a passo contido.

Prêmio por mau comportamento

Neste semestre que quase acaba
Fiz quase tudo direito
Quase não falei mal dos outros
Quase cumpri todas as metas
Quase fiz um regime
Quase comprei menos livros
Quase não ouvi Led Zeppelin
Quase estudei demais

Mas o que não foi quase
Foi inteiramente sem preço
Matei aula
Comi chocolate escondido
Falei palavrão
Dormi até as dez
Pequenas transgressões
Para me saber humana
imperfeita
feliz

E hoje estava quente
E eu estava livre
Quase disse não.
Imagina!

Infinito Pacífico

Imagem de Francisco de Assis Xavier Neto

Teu azul é indescritível
Azul sem adjetivo
Sem substantivo
Sem verbo
Faltou fôlego
Faltou palavra
Sobrou silêncio
Oceano índigo
Oceano blues
Oceano azul
Infinito pacífico

 

Acróstico psicanalítico

F ala o que te vem à cabeça
R ejeita os freios mentais
E squece os “nomes dos pais”
U rge que os deixe para trás
D eixa que a palavra aconteça

Pequeno Acróstico Terapêutico (ou de como o terapeuta implica a terapia)

A qui, agora o deus tempo
C ontrasta minhas muitas vidas:
H istórias de uma existência
I mpregnada do mundo.
L embranças de gente e momento
L adeiam nas horas vividas
E pairam diante da essência:
S ignificado profundo…