Ex-Amor

É bom que se saiba
Que se tenha certeza
De todas as dúvidas
Que irão brotar
Das covas rasas
Das prateleiras cheias
Do trago seco
Do olhar…
Quando eu mergulhar
Ah! Quando eu mergulhar
Para fora de nós
Nada estará no lugar
Nada será desculpa
Nenhuma questão
E nenhuma versão
Permanecerão
Nas entranhas
Na garganta seca
No sopro frio na palma da mão
Ninguém vai acudir
Quando eu decidir
(Sei desistir)
Das contas…
Nem restos
Nem pretensões
Darão conta dos trovões
Da chuva, da tempestade:
Suor e lágrimas, ranger de dentes, riso largo (e falso)
Toda loucura será
Tempo fora de lugar
E todos os espaços
Que preenchi (e falhei)
O vazio de mim
Deixarei escorrer
Por entre os dedos
Não se separa impunemente
as cores do mosaico
Sobremesa no prato
Sabor de partida,
Último ato…
Já terminou?
Desde sempre, acabou.
Amor natimorto
Começou numa viagem
E o que resta
São juros (ou juras?)
Patéticas sobras
Horas-extras vazias
Cheias de insistência
Persistência
Impertinência…
E não se espante
Que esta profecia toda
Já aconteceu
Enquanto eu ouvia (e dizia)
“Eu te amo”.

 

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>